Minas Gerais - A queda de um parapente na tarde de sábado, que deixou um piloto gravemente ferido, assustou praticantes do vôo livre na serra da Moeda, ao Sul da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
O movimento no tradicional ponto de saltos, neste domingo, era 50% menor que o normal nos fins de semana, de acordo com integrantes do Clube de Vôo Livre de Belo Horizonte (CVL-BH). Com a notícia do acidente, muitos adeptos do esporte e visitantes, que pagam cerca de R$ 100 por vôos com acompanhamento, ficaram com medo de se arriscar nas alturas.
A serra da Moeda chega a receber 300 pessoas diariamente, nos fins de semana, interessadas em assistir o espetáculo dos parapentes e se lançarem no ar. No sábado, o médico Ivan José Veiga Borges, de 37 anos, caiu de uma altura de 40 metros, pouco minutos após saltar. Ele teve uma fratura na bacia e outra, exposta, no tornozelo direito. “Geralmente, fazemos uma média de cem vôos por dia. Com a notícia da queda, o público se reduziu pela metade hoje (domingo)”, atestou o monitor de vôos Luiz Braga, de 30 anos, que ajudou no socorro do parapentista.
Borges permanecia internado no Hospital Lifecenter, região Centro-Sul da capital, até a noite deste domingo. Durante a tarde, ele foi submetido a uma cirurgia para corrigir a fratura no tornozelo. O hospital não confirmou se o piloto teria alta nesta segunda-feira, mas amigos disseram que ele passa bem. O parapentista pratica vôo livre há mais de cinco anos e é bastante experiente, conforme os colegas que saltam na serra da Moeda.
Segundo testemunhas, o acidente foi provocado por uma mudança nas condições de tempo. Um deslocamento repentino de ar, na vertical, fez com que o equipamento se dobrasse por alguns instantes – situação que os parapentistas chamam de “fechada”. O paraglider rodopiou e voltou a se abrir com pressão exagerada, antes de se chocar violentamente na rampa de pousos e saltos. “Foi um acontecimento imprevisível e não havia altura suficiente para acionar o pára-quedas de emergência. Na hora da saída, o tempo estava bom”, explicou Braga.
Saltos
A prática do vôo livre existe desde a década de 80 na serra da Moeda, que está a 1,4 mil metros de altitude e se tornou um dos mais movimentados pontos de salto em Minas. Nos últimos dez anos, foram pelo menos cinco acidentes com morte, de acordo com o presidente da Federação Mineira de Vôo Livre, Michel Nazar. No final de 2004, o piloto Paulo Roberto dos Santos foi vítima de um deles.
“As quedas são inerentes ao esporte, porque, por mais profissionalismo que se tenha, as condições do tempo podem mudar. Além do mais, muitas vezes, parapentistas inexperientes furam nosso controle e saltam em áreas perigosas”, justifica o presidente, dizendo que o rigor aumentou no local, nos últimos anos. “Cercamos a área e só salta quem tiver autorização de um fiscal”, comenta.
Neste domingo, o medo inibia quem se arriscava no ar. “Saltadora de primeira viagem”, a fonoaudióloga Aline Andrade Godinho, de 24, só aceitou voar depois que se informou sobre as causas do acidente do sábado. “Soube da queda e, assim que cheguei à serra, pedi explicações aos instrutores. Mas não foi culpa de ninguém”, disse ela, que ficou no ar por 35 minutos, na companhia de um profissional. “A paisagem e a sensação de liberdade valem o risco”, afirmou.
******************************
RECEBA NOSSAS NOTÍCIAS DIRETO NO SEU CELULAR !!!
ENVIE UMA MENSAGEM SMS, DO SEU CELULAR, COM O TEXTO:
ASSINAR SANTA LUZIA NET
PARA O NÚMERO 49523
******************************